Software livre, cultura japonesa e aleatorieades.
Este template é de minha autoria e faz uso extensivo de técnicas de CSS2. Recomendo o navegador Mozilla para exibição perfeita.
O layout das caixas deve ser similar
ao mostrado na imagem.
O resultado visual em navegadores que não implementam corretamente
os padrões pode ser longe do ideal. Peço desculpas, mas meu senso
de estética não me deixa escrever HTML errado para alimentar programas
defeituosos.
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template,
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Sou estudante de computação, usuário de software livre e entusiasta de cultura japonesa.
"Leonardo" é uma italianização de "Lionhart", inglês antigo para "Coração de Leão" (cognome de um rei famoso) e reflete minha natureza felina. Nas regiões montanhosas da Ucrânia vivia uma tribo que ganhou o apelido de "boikos" por usar muito a partícula de linguagem "boii". Não sou ucrânio, mas venho das highlands paranaenses.
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Se alguém viu este post hoje, soube que eu traí o blogger e tive um caso rápido com o LiveJournal. Isso foi antes de conhecer o WordPress.
O weblog mudou para ele, e está hospedado em minha página mesmo. Dêem uma olhada; o endereço por enquanto é o http://leoboiko.8x.com.br/diary.
Este é o post padrão de "ainda não estou morto".
Coloquei uma frescurazinha para ir gastando banda de meu provedor. A página agora mostra uma imagem de minha estação de trabalho, atualizada a cada oito minutos (quando estou no trabalho!). Assim vocês podem ver se estou preparando a página ou só lendo slashdot.
Isto é tão completamente errado, mas também é tão... divertido! Japonês para Nerds (I,II). Você obviamente já tinha notado que japonês é uma linguagem de pilha usando notação polonesa reversa... então que tal ler sua descrição BNF?
Kurosawa-sensei sabe mexer com as emoções, honto. É no espírito deste filme que apareci no weblog para proclamar: madadayo! (ainda não!)
O kamaitachi já foi vendido. Agradecimentos ao Boto, já que o comprador e único interessado surgiu a partir de seu anúncio na Conectiva. Com o dinheiro e um pouco de economia, talvez seja possível recuperar-me das dívidas.
Sem onde hospedar a página e não mais morando lá, é lógico que o quarto128 morreu. Já estou aprontando a página nova, contudo. Será em domínio próprio, hospedado pela HostSul. Quem me conhece ficará surpreso ao saber que usarei PHP. Pois é, rendi-me à magia negra. Mas PHP é tão... prático. Desenvolvi um XSLT para transformar XHTML 1.1 em HTML 4.01, e a seleção de qual documento usar é negociada via um script PHP, podendo inclusive ser forçada através de cookies. Curiosos podem ir acompanhando o trabalho em http://fantomas.inf.ufpr.br/~leoboiko/test e http://fantomas.inf.ufpr.br/~leoboiko/settings, mas já aviso que a infraestrutura PHP é opaca ao navegador.
O processo de criação das páginas já rendeu várias funções em Emacs Lisp como subprodutos. Ainda surgirão mais novidades, aguardem.
Passei a manhã no sofá terminando O Grito Silencioso, de Kenzaburo Oe, devidamente entocado debaixo de um cobertor pesado como de costume - o que invariavelmente leva-me a um sono desagradável e involuntário. Acordei imobilizado e após divagar um pouco tive consciência de que não acordara realmente. Acordei, e continuei pensando sobre assuntos dos quais já não me recordo. O tema do Jaspion tocava no som da sala. Mais divagação e a inverossimilhança desse fato atingiu-me, fazendo-me perceber que afinal ainda estava em torpor. Tive consciência de que o tempo todo não me movera, e que se o fizesse acordaria. Com muito esforço consegui mover alguns dedos, e acordei novamente.
Curitiba, neste fim de semana, teimou em sua pretensão de ser cidade européia e trouxe o inverno em fevereiro. O clima brasileiro mais uma vez a sobrepuja, e o calor infiltra-se sorrateira mas decididamente. O sino da capela, que toca de quinze em quinze minutos ao estilo Big Ben, anuncia o fim da manhã e divago sobre minhas obrigações. Será que adianta tentar terminar - perdão, começar - o trabalho de Inteligência Artificial, que era para ontem? Quando é mesmo a final de Linguagens? Devo sair procurar um quarto? Rendo-me ao canto de sereia do computador e deixo-o entorpecer minha mente com informações inúteis? Agora, mais do que nunca, o que eu queria mesmo era largar tudo e morar em algum sítio remoto, passando os dias com trabalhos braçais simples e em solidão.
É, não fui aceito na Cenibra.
como um andarilho
minha casa é em qualquer parte, mas
não tenho um lar;
nada resta em minha alma
a garoa fria molha o vazio.
Fui bem na prova de IA. Acertei tudo, provavelmente. Tudo bem, o prof. Direne pega leve, mas mesmo assim é animador depois de ter reprovado desastrosamente em Complexidade e BD.
Agora é só terminar em um dia e meio um jogador de damas usando MINIMAX com poda alfa-beta.
A palavra japonesa otaku (御宅) tem uma história longa. Significando literalmente "sua honorável casa", esta expressão era usada originalmente como uma forma extremamente polida de dizer "você" (i.e., um pronome de segunda pessoa).
Por razões desconhecidas, fotógrafos hobistas da década de oitenta freqüentemente referiam-se uns aos outros usando este pronome. Como estes fotógrafos eram muitas vezes obcecados e reclusos, a palavra acabou sendo adotada para significar obcecados reclusos de forma geral - por exemplo, o anime otaku (animação), o gamu otaku (jogos eletrônicos), pasocom otaku (computadores), idol otaku (ídolos pop), etc.
No Japão otaku usado desta maneira não se refere a uma paixão saudável, e sim a uma fascinação doentia que destrói qualquer chance de convivência social. De fato, o Japão é, até onde sei, o primeiro país a surgirem os verdadeiros reclusos - pessoas que vivem isoladas das outras, totalmente envolvidas em um mundo de distrações tecnológicas.
No Ocidente, o termo foi adotado pela (saudável) comunidade de fãs de animê por falta de uma palavra melhor. Os fãs daqui usam otaku o tempo todo, mas como uma maneira não-pejorativa de identificar a si mesmos. De qualquer forma, eu evito usar o termo (afinal, estou aprendendo japonês, né?)
Estou escrevendo tudo isso porque devo ter subido um nível de relacionamento com Iwakami-sensei, já que ela começou a referir-se a mim como otaku. Minha professora de chá fala um japonês perfeito e formal pré-Segunda Guerra; ela não tem absolutamente consciência do japonês pop anglicizado atual. Ou seja, otaku para sensei é uma forma respeitosa de dizer "você" e nada mais. Mas, como sou um fã de animê, soa estranho ser chamado assim...
Ontem, noite avançada, esperava o último ônibus. O céu era claro, com o tom rosado que tanto estranho. Fui olhar uma árvore e me surpreendi ao ver pequenos objetos verdes andando apressadamente pelo tronco. Eram umas bolinhas grudadas, frutos da árvore, sendo carregadas por formigas. Então compus estes dois:
nuvens rosas e as formigas trabalhando duro sem saber que já é noite.
noite de verão pedaço por pedaço, a árvore toda desce ao chão.
Recados a alguns leitores:
Boto e Descalça, fico agradecido com a oferta. Se precisar dou um toque, por enquanto estou me virando.
Cá, obrigado pela oferta também ^^v
Hishinuma-san, você está lendo isso? Não esqueci seu e-mail não, viu? Ele está lá, guardadinho, com uma tag "$" do Wanderlust...
Wendel, Cá, pessoal do fórum Shinken e (se ainda estão por aí) Ju, pessoal do Danketsushou: desculpem o sumiço, um dia eu apareço.
Tenho 17GB de dados (não-comprimidos), em grande parte uma coleção modesta de músicas, filmes e ROMs. Preciso de algum lugar para deixá-los, na fantomas não cabe. Não queria vender o kamaitachi antes disso.
Alguém tem uns gigas sobrando, ou um gravador de CDs em uma máquina Linux? Ouviu isso, alguém?
Dentre os filmes do fim de semana pegamos o DVD de Sen to Chihiro (finalmente pude ver Chihiro com o áudio original). Assistí-lo novamente lembrou-me de uma frase que vi em algum lugar na rede e preciso discordar. Lá vai papo de animê.
Para entender o porquê, analisaremos primeiro a natureza destes dois animês de Miyazaki, Tonari no Totoro (versão brasileira: "Meu Amigo Totoro"), e Sen to Chihiro (versão brasileira: "A Viagem de Chihiro"). Totoro, o mais famoso de sua carreira, não fala da realidade. Ele se passa em um mundo de perfeição, puro platonismo dos ideais. Nas palavras de Miyazaki, "os personagens de Totoro são pessoas como eu gostaria que as pessoas fossem".
Todo mundo já pensou algum dia em uma sociedade realmente comunitária. "Por que as pessoas não agem de boa fé? Por que não ser legal com os outros?" O animê parece familiar porque desenha uma realidade assim. Os personagens de Totoro não tem defeitos. Não são humanos, são arquétipos perfeitos. A mãe é a perfeita mãe, a filha é a perfeita filha, o policial, o perfeito policial. Ninguém tem a menor mancha no caráter.
Se Totoro tem o poder de nos tocar, aos japoneses ele toca ainda mais fundo. Fundo o bastante para motivar a criação de um grupo para preservar a área rural descrita no desenho (Tokorozawa, Saitama). Fundo o bastante para que Kurosawa, o maior cineasta japonês e um dois mais respeitados do mundo, tenha pedido para não comparar o trabalho com os seus para não "desreispeitar o de Miyazaki". Isto acontece porque, embora não seja explicitamente cultura tradicional japonesa, ela é a fonte de onde aquele mundo bebe água. Japoneses, principalmente de idade, não podem deixar de ser tocados por profunda nostalgia ao se depararem com algo que parece tanto com seu mundo de infância - não a realidade, mas a visão que se tem do mundo.
Uma das características da cultura japonesa, compartilhada, por exemplo, pelos gregos, é o "tempo circular". Nós crescemos com o "tempo linear", ensinado pelos cristãos, que o pegou dos judeus, que o pegou dos persas zoroastristas. A cultura é que houve um início do tempo e naquela época tudo era bom. Do passado até hoje as coisas pioram, e continuarão piorando cada vez mais até um ponto crítico, o fim do mundo. Neste ponto, acontecerá um evento memorável e a ordem será reestabelecida, desta vez para sempre. É o fim do tempo tal qual o conhecemos, e o começo de outro tempo, este eterno.
Em contraste, numa sociedade de "tempo circular" o evento que estabeleceu a ordem já aconteceu no passado. Depois de um tempo a ordem "enferruja" um pouco e é preciso limpá-la com uma versão menor do evento original - um festival ou cerimônia. Desde que todos se esforcem, a ordem será mantida indefinidamente, e tudo repetir-se-á como no passado. Sociedades de tempo circular tendem a surgir em locais de forte tradição agrícola, como na Grécia, no Japão e na Europa pagã, culturas onde desenvolve-se uma sensibilidade grande às flutuações repetitivas da natureza (estações do ano, duração do dia, marés, fases da lua, etc.)
Tonari no Totoro, como representação tipicamente japonesa, é um mundo de tempo circular e eterna recorrência. É por isso que a Mei crescida é a Satsuki. A Satsuki crescida é a Mãe. A Mãe crescida, a Vó. O Kanta crescido é o Pai. Por isso as freqüentes menções sobre "você é como eu quando pequena", "serei como você quando crescer", "ele lembra-me de minha infância". Nada muda e tudo se repete em um mundo ideal.
Sobre "a Mei crescida é a Satsuki", dá para elaborar um pouco mais. Originalmente elas eram um só personagem. Depois, Miyazaki decidiu separá-la em duas para deixar mais fácil a identificação com o elemento da "inocência" e o do "crescimento". "Mei" é a maneira japonesa de escrever "May", "Maio" em inglês; ao passo que "Satsuki" é um nome japonês antigo para "Maio". (Maio, obviamente, é um mês de primavera).
Sen to Chihiro é exatamente o contrário de Totoro: trata da realidade, da cidade grande, da solidão e do trabalho (neste ponto, dentro da obra de Miyazaki ele aproxima-se mais de Majo no Takkyubin). Os personagens de Chihiro são todos profundamente humanos, representações das pessoas como elas são e não como deveriam ser. A própria Chihiro é preguiçosa, indolente, egoísta, medrosa e um tanto mal-educada. Ela passa por receio, medo, desespero, desânimo, raiva, e é maltratada de uma maneira ou outra por praticamente todo mundo. Com o desenrolar do animê (ou da vida), ela aprende a conviver com os próprios defeitos e com o dos outros - e é justamente nos outros que encontrará a força para a maturidade, que lhe trará a coragem necessária para finalmente recuperar o próprio nome e desmistificar aquele mundo tão estranho (a vida adulta).
Miyazaki escreveu este animê para as próprias filhas, e Chihiro para que elas se identificassem. Todo mundo é alguém da vida real: o rapaz arrogante mas prestativo, o tiozinho teimoso de vários braços na fábrica, a patroa assustadora que no fundo só quer cuidar do filho (e ganhar uma graninha), o Sem Face que devora os outros adquirindo suas personalidades para chamar a atenção...
Vemos, então, que Totoro e Chihiro são obras diametralmente opostas na carreira de Miyazaki. Mei jamais existiria no mundo de Chihiro - a Mei, de "Mei wa kowakunai" ("Mei não tem medo"), a Mei de "Mei não mente", não é uma pessoa que possa viver na realidade de Chihiro. Mesmo que pudesse, ela não teria uma personalidade como a de Chihiro, e sim a de Satsuki.
No caminho do último Animencontro descobrimos uma locadora com filmes culturais, para complementar nosso hábito de freqüentar os cinemas culturais. Além dos clássicos (Kubrick, Lynch, Hitchcock et al.) há pérolas como a coleção de Monty Python, Plan 9 From Outer Space, a série Cosmo que popularizou Sagan, propaganda nazista (da época da guerra), vários do Ingmar Bergman (O Sétimo Selo, A Fonte da Donzela e outros suecos que conhecemos nos Ritz da vida)...
...e uma coleção completa de Kurosawa Akira. Finalmente pude assistir shichinin no samurai, e agora passarei meio ano assistindo os filmes todos do Kurosawa.
Hoje entusiasmei-me escrevendo kanji e perdi a hora no Palácio Hyogo. Quando fui olhar o relógio já passara da metade da hora do cavalo, isto é, já tinha passado de meio-dia. Os funcionários saíram para almoçar e fiquei trancado lá.
Não seria tão mal se eles não tivessem ativado os alarmes que, distraído, supus serem de carros ao longe. Logo apareceram os seguranças, pularam muros e etc. Depois de alguma conversa, tivemos de esperar algum funcionário chegar (pois eles não me conhecem pelo nome).
A experiência serviu um pouco para massagear o que sobrou de meu ego, já que o tempo todo mantive-me completamente relaxado e isso diminuiu os inconvenientes. Mais tarde, repetir-se-ia a massagem no mesmo lugar.
Fui atacado por um cão no caminho da faculdade. Ficamos dançando um tempo, eu indo para trás quando ele avançava, mas sempre mantendo o mesmo maai, e ao mesmo tempo afastando-o de sua casa. Novamente a cabeça fria poupou problemas. Com a ajuda da velha técnica do Exército contra cães (manter o olhar), logo ele desistiu de avançar. Até que minha apatia e indiferença têm seus usos.
Um mangá que surpreendeu pela qualidade foi Chobits. Não achei que tivesse tanta profundidade. Os temas tratados são muito relevantes para qualquer um envolvido com computação.
Enquanto isso, estou me livrando de minha própria Chi, isto é, o kamaitachi. O canto daquela sereia velha já me prendeu tempo demais. Analisando objetivamente, já faz mais de um ano que não uso o kamaitachi para nenhum trabalho sério; tenho os laboratórios da faculdade para isso. E preciso do dinheiro...
É uma sensação estranha, olhar para o quarto 128 (ao qual já não pertenço) com as coisas guardadas, sacolas de usados para doar, o computador no guarda-roupa, as peças do André já separadas, meu Model M que nem tive tempo de usar...
Ah, o genbu e peças avulsas pretendo doar. Vendê-lo renderia muito pouco, e seria estressante identificar os problemas, limpar tudo e etc.
Continuo procurando lugar para morar. Depois de olhar outros lugares a Cenibra voltou a parecer atraente. A localização é boa, dá pra ir a pé para a faculdade, para o japonês e para o chá. A entrevista para novos moradores será dia 8, e não sei quando será o ingresso dos aprovados; assumindo que eu passe, o problema é onde ficar até lá.